MS San Marino
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Casco Semi-Deslocante

O San Marino é um barco semi-deslocante, que viaja dentro do limite de velocidade de casco, para maior autonomia e economia. Sendo um casco semi-deslocante, rola pouco, pois possue cantos vivos, (hard chine) não necessitando estabilizadores, como a maioria dos “trawlers”.

Material de Casco

É a velha discussão de sempre.

Aço

Não necessita molde, e é muito resistente, principalmente em relação à colisões com rochas. O aço deforma-se e cede não deixando entrar água. Os reparos também são mais fáceis, qualquer estaleiro em qualquer lugar do mundo sabe faze-los. Tanques de óleo são fáceis de fazer e acabam tendo capacidade maior que nos barcos em Fibra. São também fáceis de se identificar no radar e oferecem excelente terra para transmissão radiofônica.

Como pontos negativos uma péssima isolação térmica, a velha ferrugem que atualmente é um problema menor devido à alta qualidade das tintas empregadas e a quantidade de estrutura interna, que cria inumeráveis cantinhos e diminui o espaço aproveitável.

Fibra de Vidro

O David Napier, nosso arquiteto, recomendou fazer o casco em Fibra de Vidro, com o seguinte argumento:

Ao vender, o casco de aço terá um valor muito mais baixo, pois além do mercado pedir Fibra de Vidro, não é possivel fazer uma inspeção em todo um casco de aço, que poderá ter alguns pontos de corrosão cobertos por tinta ou massa.

O comprador nunca estará seguro do que recebe.
(os barcos de fibra valorizaram muito nos últimos anos com a alta do petroleo)

Além do que, disse o David, vou fazer seu casco muito mais forte que um de aço. Basta aumentar a quantidade de camadas de fibra. O casco do San Marino até um metro acima da linha d’água tem a espessura de 75 a 100 mm e acima desta quota 25 mm.

Alumínio

São realmente mais leves. Possuem um problema de aderência da pintura, que se não muito bem feita pode soltar-se em escamas. São também barulhentos, mas um bom isolamento térmico/acústico resolve também este problema.

Necessitam muito cuidado na fixação de válvulas, ferragem etc., para não haver contato elétrico entre o alumínio e outros materiais, desenvolvendo uma reação corrosiva causada por diversidade eletrolitica.

Madeira

São muito agradaveis como robustez e poesia os cascos de madeira. Mas este nobre material, ha milênios utilizado na fabricação de barcos não é mais viável, seja pela destruição de florestas, seja pela raridade de boa madeira e também bons artesãos.

Motor vs Vela

Foi muito difícil decidir se faríamos um veleiro ou não.

A favor estavam a beleza de uma navegada a vela, a autonomia ilimitada, a saúde de se viver ainda mais em contato com o mar.

Contra: Muito menos espaço a bordo, toda uma mastreação para se conservar e manter mesmo se parados em uma marina e a maior dificuldade em um reparo em alto mar.

Poderíamos ter um meio termo, um motor sailer, mas o custo de um mastreamento seria maior que um segundo motor e o problema de seu desgaste (no mínimo a cada 10 anos precisa ser refeito) é o mesmo de um veleiro.

Decidimos pelo motor ao considerar que 10% do tempo estaremos navegando, o resto em ancora ou marina.

Ganhamos com a decisão por poder escolher sempre dias calmos e sem ventos e assim navegar com tranqüilidade.

Para velejar nas horas vagas, nada melhor que um bom “Lazer”.

American Bureau of Shipping

A ABS (American Bureau of Shipping) é a empresa que escolhemos para fiscalizar a construção, aprovar o projeto e classificar o San Marino.

Estamos classificados como "Lotus A1+ AMS" o que significa que o San Marino pode navegar em qualquer mar do planeta, e seu casco, casario e equipamentos mecânicos e elétricos foram aprovados por esta exigente classificadora.

A sede da ABS é nos Estados Unidos e as classificadores similares mais conhecidas são O Lloyds (GB), o Bureau Veritas (NL), a RINA (I) etc .

A Construção foi fiscalizada por Arthur Russi e sua equipe de engenheiros navais.

Nos dá segurança viajar num barco assim controlado, pois além do projeto inicial do DavidNapier o projeto do casco foi submetido a testes de computador, foi recalculado pela ABS que sugeriu diversas modificações, foi apresentado à Marinha Brasileira pela Solido Engenharia (Gerson Machado) que calculou todas as curvas hidrostáticas e foi novamente testado quando pronto pela ABS.

Além da segurança significa maior valor de revenda e premios menores nas apólices de seguro.
Anualmente fazemos uma inspeção, em qualquer lugar do mundo, para mantermos válida a classificação.

Revestimento isolante

Na construção revestimos todo o costado do casco, as laterais do casario, o piso do flybridge e o convés com uma camada térmica isolante de 10 cm de poliuretano expandido. Além disto o piso do Fly e o Convés são laminados como sanduíche com alma de balsa, 25 mm.

O Isolamento térmico, feito para o frio e para o calor, ficou tão perfeito que jamais sentimos necessidade de ligar o ar condicionado.

Serve também como isolamento acústico, e dormimos no San Marino sem escutar ruídos de fora, o que algumas vezes é mau, pois não nos alerta de perigos que o ouvido nos indicaria.

Piso do convés

No convés decidimos não colocar o tradicional piso de teca, ou outra madeira. A madeira esquenta muito sob o sol e adeus isolação térmica. Também a fixação das ripas de madeira sobre o sanduíche de fibra é problemática, pois se só colado pode mexer e soltar e se aparafusado, cada parafuso é um ponto de possivel infiltração de agua.

No San Marino o piso utilizado é o Threadmaster.

É muito importante um piso não escorregadio, pois é assim que se quebra uma perna a bordo.

Vigias

As vigias do San Marino, (fabricadas pela Freeman, USA) são de tipo muito sólido, em alumínio fundido e pintadas com Awlgrip. São realmente estanques e de grande tamanho, permitindo o escape de uma pessoa por elas em caso de naufrágio. Como o San Marino é classificado pela ABS, as vigias precisam ter vidro temperado em espessura aprovada, que no caso é 12 mm, além de possuir “tampa de combate” que são tampas de metal que se fecham sobre o vidro, impedindo entrada de agua mesmo que o vidro se rompa em algum acidente.

Nosso camarote possui 6 vigias, 2 na popa, 2 nos costados, 1 no corredor e 1 no banheiro.

Janelas e Portas

É um grande dilema as “janelas” de um barco. As vigias não se discute muito, tem que ser fortes. Mas na superestrutura, no casario, onde se vive todo o dia. há que se ter muita luz e vista, principalmente se se está num clima frio.

Porém uma grande área envidraçada apresenta dois problemas.

O primeiro, e principal, é que um forte mar arrebentando sobre o casco, estoura os vidros de qualquer barco a motor normal. Para se fazer uma travessia oceânica com um barco comum é necessário colocar-se painéis de compensado aparafusados sobre todas as janelas.

Felizmente na publicação da ABS “Guide for Building and Classing Motor Pleasure Yachts” estão os cálculos para se determinar a espessura e qualidade destes vidros.

Resultou no San Marino, vidros temperados de 14 mm na ponte de comando e de 12 mm na Sala. Pesam muito, mas vale a segurança. Foram fabricados sobre molduras em alumínio, no Canadá, e aparafusados a cada 5 cm sobre a fibra do casario. Abrem como nos trens, a parte superior bascula para dentro, oferecendo excelente ventilação.

Também as 3 portas (duas laterais na ponte de comando e uma dupla à popa) são muito robustas, estanques, fabricadas pela Freeman, USA.

Assim de quebra, ganhamos segurança, pois os vidros são à prova de balas e não há ladrão que possa forçar uma porta destas.

O segundo problema é embaçamento em climas frios.

Vidros embaçam quando o ponto de orvalho do ar em contato com ele é atingido. O ponto de orvalho é função da temperatura e da humidade do ar.

Para não haver embaçamento o melhor é manter uma temperatura interna alta, portanto acima do ponto de orvalho.

Se os vidros isolam bem (duplos com camada de ar entre eles seria melhor) e no nosso caso isolam, pois o vidro é material isolante térmico e a espessura ajuda muito, a temperatura da face interior do vidro mantém-se alta. Na ponte de comando a saída do ar quente do aquecimento é bem sobre os vidros, diminuindo este problema.

Sala de Máquinas

Nossa sala de máquinas é mesmo uma “sala”, medindo 6 x 6 metros e com um pé direito de 2 metros. Tudo está arranjado de modo a facilitar a manutenção, tem muita luz e ventilação (4 grandes vigias) uma bancada de trabalho com cadeira, 2 gaveteiros para peças e ferramentas com mais de 300 gavetas entre grandes e pequenas. Tudo fica sempre em ordem e gostamos de manter tudo muito limpo. Temos também uma bancada de serviço com furadeira de coluna, esmeril e uma grande morsa. Carregamos todo tipo de ferramentas, que sobraram da fabricação do barco e também da antiga oficina. Durante a construção do barco, tivemos sempre o cuidado de comprar de tudo um pouco a mais, e como não temos problema de carregar peso, levo tudo a bordo. Somos praticamente auto-suficientes.

É fácil limpar a casa de máquinas. Primeiro passo um desengraxante forte em tudo (com bomba tipo spray) e depois jogo agua doce com a mangueira pressurizada. Em seguida com uma bomba de porão adaptada, seco tudo inclusive os espaços do porão que não escorrem facilmente. Uma vez por ano, faço uma boa limpeza de porões.

O San Marino não faz agua, é absolutamente estanque, por isto se mantém sempre limpo.

Camarotes

São três camarotes à proa, para hóspedes, um com uma cama de solteiro, um com duas camas de solteiro e um com uma cama de casal.

Cada um possui seu próprio banheiro com box para chuveiro.

O sistema de W.C utiliza agua doce para não fazer mau cheiro.

Há agua quente e fria a vontade.

Entre o local dos camarotes e a sala de máquinas fica a lavanderia onde estão também 2 freezers.

A Sala de máquinas está à meia nau e passando-se por suas portas estanques, entra-se em nosso camarote, à popa. Em uma área de 5,50 m x 5m fica nosso camarote, um corredor onde guardamos sapatos, um “walk-in” closed e nosso banheiro que inclui bidé e banheira.

No piso superior, com acesso por duas escadas, uma da área dos hóspedes, uma de nosso camarote, estão a Sala, 5m x 7m, a cozinha (4x 2.4 m), um lavabo com W.C. e a ponte de comando (5 x 3 m).

Dela, uma outra escada leva ao Fly Bridge.

Cozinha

A cozinha do San Marino é muito completa. Numa área de 3.5 x 2,4 metros, temos dois balcões transversais ao barco. No de popa, armários, um tampo de granito preto e uma grande janela que se abre comunicando com a sala.

No de proa, maquina de lavar pratos, fogão vitroceramica de 4 bocas, forno e forno de microondas, tudo de dimensões normais de um cozinha casa.

Compramos quase todos equipamentos de uma empresa francesa de Strasburg, De Dietrich, e é provavelmente o melhor que se pode encontrar assim também como a Alemã Siemens.

O lixo biológico não poluente é triturado no ralo da pia e jogado automaticamente ao mar.

O lixo poluente e colocado num compactador de lixo que se encontra neste mesmo balcão, e compactado ocupa pouco espaço. Uma semana com 8 a bordo forma um pacote de 25x40x40 cm.

Toda a nossa cozinha é elétrica, não levamos gas a bordo.

Para usa-la em toda sua capacidade é preciso ligar o gerador ou estar conectado à terra, mas para uso rápido, duas bocas de fogão mais o microondas por exemplo, as baterias (2400 ampères) agüentam muito bem e são recarregadas pelos motores se se quiser.

Lavanderia

A lavanderia do San Marino fica entre a casa de máquinas e o camarote de hospedes de boreste. Tem um tanque de lavar roupas de louça, tamanho normal, uma lavadora e uma secadora de roupas tipo residencial. Pode-se estender fios de nylon para deixar roupas secando.
Como os 2 freezers estão também na lavanderia, sobre eles pode-se improvisar uma mesa de passar.

Fly-Bridge – Balsas salva vidas

Nosso Flying Bridge possui uma estação completa de comando. O piloto automático pode ser operado por controle remoto.

Temos um suporte para o GPS portátil e um repetidor de todos os dados do Autohelm e GPS também no Fly.

É lá que guardamos dentro de um armário bem ventilado, a gasolina de reserva para os infláveis. Deve-se evitar líquidos voláteis dentro de um barco, gasolina em especial.

O vapor de gasolina é mais pesado que o ar, acumulando-se no fundo do porão. À primeira centelha, causada por um interruptor que se fecha, uma escova de motor de faísca etc., sucede-se uma explosão.

No Fly também estão os botes infláveis, uma balsa de salvamento para 6 pessoas dentro de uma caixa de fibra que solta-se automaticamente em caso de naufrágio (a outra, em bolsa, também para 6 pessoas está bem na porta de entrada do Fly) .

Divisões

O San Marino está dividido em 4 compartimentos estanques, o de colisão, à proa, onde também temos um grande depósito e onde ficam as correntes de fundeio, o compartimento onde ficam os três camarotes dos hospedes, a sala de máquinas, e as dependências do capitão.

Cada compartimento possui uma bomba de porão, Jabsco de diafragma, montada em local de fácil acesso, de acionamento automático. Não gostamos de bombas colocadas no fundo do porão, como as centrifugas, pois são difíceis de desentupir. As bombas de diafragma aceitam partículas grandes e nunca param. Em cada compartimento há também uma bomba de reserva, de acionamento por tecla.

Na sala de máquinas, temos uma grande bomba que esgota 200 litros por minuto, acionada pelo motor de boreste. Ela tem duas funções: Bomba de incêndio, retirando agua do mar e utilizando 15 metros de mangueira de incêndio, ou bomba de porão, com 20 metros de mangueira flexível, permitindo esgotar agua de qualquer compartimento a alta velocidade.

Temos também nos 4 compartimentos controle de nível com alarme visual e acústico, na ponte de comando.

Cada bomba elétrica do San Marino está conectada a um display na ponte de comando, onde acende-se uma luz e um contador avança um digito, a cada acionamento. Assim, controlo caso algum compartimento esteja fazendo agua, e quanto de agua está sendo esgotado.

Madeiras Externas

No San Marino, não temos madeiras externas com verniz. Sem dúvida é mais bonito, mas o verniz externo, no mar, dura muito pouco, e se não é refeito constantemente, precisa ser completamente raspado antes de se dar novas demãos. Assim decidimos usar madeira resistente ao tempo (Ipê) que não precisa nenhum tratamento. Com o tempo ele vai ficando claro, mas sempre resistente. Para melhorar a aparência, aplica-se oleo de linhaça misturado com meia parte de agua raz (terebentina).

Internamente temos todas as madeiras (mogno) envernizadas com verniz poliuretano com filtro solar. Para ter uma aparência sempre nova, pode-se as vezes passar uma leve camada de cera liquida.

Passarelas

Para atracar de popa temos uma passarela que é removível. Ela possui degraus e é muito segura, ninguém escorrega.

Para atracar de costado, como estamos agora, sempre a altura do cais tem sido próxima à de nosso casco. Aqui entretanto o cais é muito baixo, a 50 cm da agua. Nossa escada se adapta ao portaló e sobe ou desce comandada por um cabo em roldanas.

Palafita Fora d'Água

O San Marino foi projetado para podermos viver dentro dele mesmo fora d’água. No inverno, em países muito frios, como a Rússia, será necessário invernar fora d’água. Basta conectar agua, eletricidade e um tubo longo para a saída do esgoto, que só descarregamos duas vezes por semana, em locais adequados.

Duas pernas podem ser descidas da sala de máquinas para que se apoiando nelas e na quilha (popa) o San Marino fique no seco.

É uma perfeita palafita fora d’água.

O sistema de esgoto do San Marino, inclui três caixas de detritos, uma à popa, para nosso banheiro e duas à proa para os banheiros de visitas.

Não poluímos assim os locais onde ficamos, fazendo a descarga em locais distantes, através de uma bomba elétrica que macera antes de descarregar.

Nas marinas equipadas com equipamento de sucção, liga-se o tubo às tomadas dispostas no exterior do casco e procede-se à sucção.

Um controle de nível na ponte de comando avisa quando se deve esvaziar cada tanque.

 
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