OCEANOGRAFIA E MEIO AMBIENTE

Historicamente, a curiosidade humana impulsiona o espírito expedicionário de grandes homens, que, através de suas realizações, nos ajudam a desvendar o até então desconhecido - ou o até mesmo imponderável num dado momento. As expedições culminam por trazer ao público em geral o conhecimento de frações da magistral obra que é o mundo onde vivemos, a partir do simples relato ou do estudo de aspectos relevantes e curiosos sobre o ambiente e suas populações, desempenhando, ao longo do tempo, papel primordial na compreensão do meio ambiente e de nossa relação com o Planeta.

Com a participação das instituições apoiadoras, a idéia é incorporar ao documentário, bem como à rotina de bordo e demais atividades desenvolvidas pela equipe do MS San Marino, um olhar apurado e crítico sobre as questões ambientais e antrópicas ao longo da rota, realçando peculiaridades locais e a diversidade das exuberantes vidas marinha e costeira.

Partimos do pressuposto de que a Terra pulsa, tem vida, como sugere James Lovelock em “As Eras de Gaya”. Segundo a teoria da Tectônica de Placas, os continentes e os fundos oceânicos se movem, cada qual a uma determinada taxa anual e em determinada direção. Os oceanos se movem de acordo com suas correntes. A atmosfera, com os ventos. O todo soa como uma orquestra complexa e magnífica, da qual somos apenas uma pequena parte. Os movimentos migratórios de diversas espécies animais contribuem como tênues acordes na sinfonia da vida. Documentar e elucidar algumas destas questões é o nosso propósito.

Diversos tópicos dentro deste universo serão explorados como, por exemplo, o fato da Terra receber mais radiação solar na região do Equador e a distribuição deste calor para as regiões polares ser feita principalmente através das correntes oceânicas, algumas das quais serão singradas pelo MS San Marino.

Neste sentido, cabe ressaltarmos como o fenômeno das mudanças climáticas globais está interferindo na circulação de massas de água e de ar mundialmente. O que irá ocorrer com a calota de gelo nos Mares do Norte, e como isto pode afetar as rotas de navegação na região? Apesar do aquecimento global ser um assunto muito em voga nos dias de hoje, e de haver um grande esforço da comunidade científica em compreender sua ocorrência, resta muito ainda a saber sobre este fenômeno.

Segundo uma das teorias vigentes, a rota marítima do norte da Rússia e Sibéria pode vir a consolidar-se como uma rota comercial em alguns anos em função do aumento da temperatura média atmosférica e, conseqüentemente, do degelo significativo das placas de gelo polar, viabilizando a navegação sem a necessidade de navios quebra-gelo; Já outra teoria sugere justamente o oposto: que em função da diminuição do gradiente térmico entre o equador e as regiões sub-polares e polares, haveria uma diminuição da abrangência e conseqüente influência da Corrente do Golfo, havendo, desta maneira, um aumento na intensidade de congelamento do Oceano Ártico.

O cunho informativo e instigante sugerido ao documentário tem o intuito de gerar uma profunda reflexão sobre o atual estágio de nossa relação com o meio, afinal todos nós compomos esta intrincada rede de interdependências que é o Planeta Terra.

Laviera Dorneles Laurino e Cristina Flores Soares.