MS San Marino
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A Rota do Mar do Norte San Marino
 

HISTÓRICO

Em 1990 se inicia o projeto do San Marino.

Foram aproximadamente 3 1/2 anos de construção, sendo lançado em junho de 1993, em Santos.

Em 1994 começa o San Marino a sua primeira viagem.

Foi uma bem sucedida viagem, de 33.000 milhas (60.000 kilometros) , 101 baias diferentes, 62 marinas e 35 portos comerciais diversos, 137 cidades em 19 paises, e em 4 continentes em aproximadamente 9 anos.

A sorte ajudou e acompanhou. Sem incidentes, jamais tocando o fundo ou enroscando os hélices.

As travessias do Atlântico em barcos a motor de menos de 20m (65 pés) foram poucas. A primeira, em 1902, pelo  Low de 38 pés de Abiel Abbot, um fabricante de motores a querosene que queria demonstrar a confiabilidade de seus motores e fez New York - Falmouth (Inglaterra) em 38 dias,  com muita dificuldade, pois o barco era quase um veleiro. O piloto exposto ao tempo, cockpit aberto.

Abbot viajou com seu filho de 16 anos, que não era ainda um marinheiro, manejando o barco quase sozinho. A viagem foi difícil, diversos vazamentos de querosene devido às fortes pancadas durante o mau tempo, se espalhando em tudo abaixo dos decks, muito stress. Ficaram reduzidos a condições quase de sobrevivência. Porém, no final, a travessia foi um sucesso e o pequeno motor trabalhou como um relógio.

Low Low - 1902

A segunda travessia, no mesmo percurso, foi feita pelo Detroit (35 pés) em 1912, de New York a Qeenstow (hoje Cobh na Irlanda) em 28 dias. Também um barco aberto com motor a gasolina. Também o Detroit mantinha o conceito de veleiro, com o piloto exposto ao tempo e ondas (para observar o velame, mas sem velas!) com apenas o timão para se segurar, nada agradável no meio do Atlântico. Mais uma vez, o motor trabalhou maravilhosamente.

Detroit Detroit -1912

Por muito tempo ninguém se aventurou a seguir estes navegadores pela maneira com que estas viagens testaram seus limites de resistência.

Somente em 1937, tentou-se uma nova travessia atlântica com um pequeno barco a motor. O francês Marin- Marie, navegador e pintor oficial da marinha francesa, construiu seu próprio barco e partiu contra a opinião de todos e previsões de desastres.

O Club de Yatchs de France considerou prender Marin-Marie para não se arriscar em uma aventura louca como esta. O Arielle (42 pés) efetuou a viagem de New York até Le Havre em 19 dias,  com tempo bom e com o barco em perfeitas condições, sem incidentes. Ele o fez a solo.

Marin-Marie e Ariel estavam muito além de seu tempo.

Arielle Arielle - 1937 Arielle

Em 1939, foi feita a primeira travessia em sentido contrário.

O Eckero, 31 pés, conduzido por um polonês , que não obtendo visto para visitar os EUA, um pouco antes da Segunda Guerra, pegou seu barco pesqueiro, construído por ele mesmo 10 anos antes, recondicionou o motor diesel de um cilindro e 10 cavalos, e partiu fazendo escalas em Copenhaguen, Dinamarca, Goteborg, Suécia, Rotterdam e Holanda. Depois Dover, Southhampton e Faulmouth Inglaterra, Açores e Bermudas com uma equipe de dois amigos.

Seguindo uma regra de apenas dormir uma noite em cada porto, fizeram a viagem de 3725 milhas em 34 dias. Chegaram a New York sem acidentes ou problemas, realizando uma das mais incríveis viagens feitas até hoje por um barco a motor pequeno.

Eckero Eckero 1939

Após estas viagens, foram registradas as viagens do barco inglês Aries da Inglaterra a New York em 1955. Um salva vidas de 61 pés convertido. A viagem do yatch Kytra da Europa a Newport, Rhode Island, em 1963, e voltando em 1964.

Uma das mais importantes viagens foi a de Robert P. Beebe, ex-navegador da marinha americana (inclusive do porta-aviões USS Saratoga na segunda guerra), que construiu o famoso "Passagemaker" em Singapura, 1964, baseado nos barcos pesqueiros do Pacífico Norte (trawlers).

Beebe viajou de Singapura até o Mediterrâneo, via canal de Suez, e, depois, pelos canais franceses. Atingiu Rotterdam e de lá Inglaterra, Bermudas, USA, viajou aproximadamente 60 mil milhas em 10 anos, sem qualquer incidente.

Motorizado com o lendário Diesel Ford Lehman e 5 mil litros de combustível, o Passagemaker tinha 50 pés, com 46 na linha d'água e 15 de boca.

Beebe escreveu o livro "Voyaging Under Power", que envolve vários aspectos como construção, navegação e estilo de vida. O livro inspirou a construção do MS San Marino e inúmeros outros barcos, assim como a fábrica Nordhavn e a revista Passagemaker.

passagemaker Passagemaker - 1964

Por mais estranho que pareça, um barco exclusivamente a motor é mais econômico de manter e o gasto de combustível (sendo casco deslocante) não é também muito pois se pode compra-lo quase sempre "tax free".

O difícil é faze-lo também estável e bom para qualquer mar do mundo e com autonomia para atravessar qualquer oceano.

O MS San Marino tem 2500 milhas de autonomia, o que é suficiente, pois a distancia entre Honolulu e San Francisco é 2200 milhas. Cobrindo esta perna pode-se ir a qualquer local do mundo, exceto a Ilha de Páscoa.

 

A ROTA DO MAR DO NORTE

A Passagem de Nordeste

Em 1553 os ingleses começaram as tentativas de descoberta de uma rota comercial para a China, pelo nordeste, através do mar.

Durante a primeira expedição comandada por Sir Hugh Willoughby, o navio ficou preso no gelo e, mal preparados para o frio, todos morreram. Após muitos fracassos e muitas vidas perdidas, em 1580, os ingleses desistiram desta empreitada. Foi neste momento que os holandeses iniciaram suas buscas.

Sir Hugh Willoughby Sir Hugh Willoughby

Em 1594, os holandeses acreditavam ter encontrado a rota, Willem Barents estava em uma destas expedições. No ano seguinte, Barents participou de uma expedição com diversos navios carregados de mercadorias. Mais um fracasso.

Willem Barents Ship Willem Barents Willem Barents

Porém, os Holandeses não desistiram. Em 1596, mais uma tentativa com Barents agora no papel de piloto. O navio acabou ficando preso no gelo e afundou a leste de Novaya Zemlya. Os membros da expedição tiveram de passar o inverno por lá. No verão, navegaram para o sul em dois barcos pequenos. Barents mapeou a região, mas morreu nesta viagem. Alguns membros conseguiram sobreviver com muito sofrimento.

Barents Map Mapa de Barents

Em 1648, o navegador russo Semyon Ivanov Dezhnev partiu com Fedot Alexeyev e 90 homens, em 7 navios, navegando do Rio Kolyma ao Cabo Leste (Mys Dezhneva). Dezhnev e 25 tripulantes naufragaram. Alexeyev e sua tripulação, separados pela tempestade, nunca mais foram vistos.

Dezhnev atingiu o Rio Anadyr no oceano pacífico em 10 semanas sendo o primeiro a navegar o que hoje é conhecido como o Estreito de Bering, provando que a Ásia e a América não eram conectadas e que a Rota do Mar do Norte existia.

Dezhnev Semyon Ivanov Dezhnev Dezhnev Ship

Dezhnev schematics

Entre 1725 e 1730, Vitus Bering, um dinamarquês que trabalhava na Rússia, navegou do Pacífico até o Oceano Ártico.

De 1733 a 1743, o Tzar Pedro o Grande enviou Bering, Dmitri Laptev, Aleksei  Chirikov, Vasily Chelyuskin e 977 homens na Grande Expedição do Norte. Marcharam e navegaram o Nordeste da Rússia.

Em 1741, Bering morreu de escorbuto junto com 28 de seus homens nas Ilhas Comandande (Komandorskiye Ostrova) no Mar de Bering. Chirikov, que comandava outro navio, conseguiu chegar com alguns sobreviventes em Petropavlovsk, a maioria da tripulação faleceu de sede e escorbuto.

Vitus Bering Vitus Bering

Bering's Map

Entre 1878 e 1879, o barão sueco professor Nils A.E. Nordenskjold natural da Finlândia foi o primeiro a completar a Rota do Mar do Norte, Expedição Russa-Sueca, com o navio a vapor "Vega". A ponto de completar a passagem, o navio ficou preso no gelo próximo ao Estreito de Bering, invernando na península de Chukchi. Finalmente completou a passagem na primavera seguinte.

Norddenskjold Nils Adolf Erik Nordenskjold Vega Vega

Vega's route

Em 1914, o navio "Saint Anna", partiu de Murmansk rumo a Vladivostok, 7,000 milhas de navegação em águas perigosas. Após alguns meses no temível Mar de Kara, o navio ficou preso no gelo, levado pela corrente, rumo norte por quase um ano e meio.

Sem esperança de serem salvos, o piloto Valerian Albanov e mais 13 companheiros deixam o barco e o resto da tripulação a procura de terra. Com apenas trenós e caiaques construídos com fragmentos do "Saint Anna", Albanov começa sua viagem de 18 meses até Franz Josef Land (o arquipélago russo mais próximo ao Pólo Norte). Com um cronômetro quebrado, pouco suprimento, uma tripulação de homens inexperientes, enfrentando a fome, temperaturas muito abaixo de zero e a morte da maior parte da tripulação, Albanov persiste.

Albanov Drawing

Albanov e sua tripulação dormiam em um bloco de gelo, foram jogado ao mar. O escorbuto quase mata o piloto a apenas algumas milhas de seu destino. Somente Albanov e Alexander Konrad sobrevivem. Quando consegue chegar, o piloto se vê no meio dos primeiros conflitos da primeira guerra mundial. Algo que não tinham conhecimento. Albanov escreveu o livro "In the Land of White Death", no qual narra sua viagem.

Valerian Albanov Valerian Albanov Alexander Konrad Alexander Konrad

 

Entre 1914 e 1915, o primeiro navio-quebra-gelo do mundo, "Yermak", a comando do almirante Marakov, seguido dos navios "Taimer" e "Vagaich", completaram a passagem e descobriram Severnya Zemlya.

Yermak Yermak Yermak


Em 1923, o navio-quebra-gelo "Sibiriakov" foi o primeiro a completar a passagem em uma estação, comprovando a possibilidade de se tornar uma rota comercial.

Somente no final da década de 90, a Rota do Mar do Norte foi concluída por uma pequena embarcação.

Entre 1997 e 1999, o primeiro barco pequeno a completar a passagem, comandado pelo famoso navegador russo Nikolai Litau, no veleiro de 53 pés "Apostol Andrey ", navegou a passagem sentido leste–oeste.

Em uma heróica tentativa de rodear o Cabo Chelyuskin, o ponto mais ao norte do continente, o "Apostol Andrey" foi rodeado por gelo novo. Gelo antigo vindo do norte se aproximou do veleiro e o "Apostol Andrey" foi forçado a retornar a Tiksy para a invernagem. No ano seguinte, mais uma fracassada tentativa. Somente no verão de 1999 a viagem foi concluída.

Em 2002, o Francês Eric Brossier, no veleiro "Vagabond", de 47 pés, e o alemão Arved Fuchs, no veleiro "Dagmar Aen" de 79 pés, completaram a passagem oeste–leste sem invernagem, em um verão excepcionalmente favorável à travessia.

Em 2003, o Holandês Henk de Velde começou a rota com o veleiro "Campina". invernando emTiksi, norte da Sibéria. Em 2004, com problemas sérios em seus lemes, devido a fortes pancadas de blocos de gelo, foi socorrido pelo navio cargueiro Yuriy Arshenevskiy, que o levantou com guindastes e levou o Campina do Mar de Laptev a Murmansk.

Em 2004, o Irlandês Jarlath Cunnane navegou a passagem leste–oeste com o veleiro Northabut de 49 pés. Devido a um ano de condições extremas de gelo, teve que invernar em Khatanga, completando a passagem em 2005.

 

SAN MARINO

San Marino

Um Homem Santo Vindo do Mar

O nome "San Marino" foi escolhido por ser a terra natal de minha mãe Milena um país de 26 Km quadrados localizado próximo ao Mar Adriático, Norte da Itália.

San Marino, fundou a Republica de San Marino "l'antica terra della libertá" em 301 D.C., a menor e mais antiga republica do mundo ainda em existência, a unica a ser fundada por um monge – natural da ilha de Rab, na Dalmácia, hoje Croácia – foi como pedreiro trabalhar na construção do porto de Rimini – norte da Itália, Mar Adriático – perseguido pela caça aos cristãos do imperador Diocleciano (antes de se converter ao cristianismo) fugiu para o Monte Titano.

Em pouco tempo, atraidos pela fama de homem santo outros se juntaram e dedicaram suas vidas para a primeira comunidade cristã no Monte Titano.

No meio tempo “Marino” nominado diácono pelo bispo riminense Gaudenzio, recebia como doação o Monte Titano de Donna Felicissima, patricia romana convertida ao cristianismo.

Culturalmente a independencia da República Sanmarinense se deve muito à santidade de seu fundador, cuja influência desde seu remoto primordio dá a seus habitantes uma identidade muito particular, uma fisionomia única, um modo de pensar herdado diretamente de um personagem muito carismático, um "homem santo vindo do mar", chegado de longe para viver trabalhando com humildade e fazendo bem a todos que viviam no Monte Titano.

Na morte de Marino a comunidade que em volta dele se uniu, não se dispersou, mas se organizou a uma vida coletiva sob a base das últimas palavras do santo:

“Relinquo vos liberos ab ultroque homine”

"Livre vos deixo dos outros homens"

San Marino Repubblica di San Marino San Marino

Brasão de San Marino