![]() |
|---|
A AMÉRICA MARÍTIMA ANTERIOR A COLOMBO SÉCULO VII DC Uma das primeiras viagens pelo mar à Amèrica é a lenda do monge Irlandês St. Brendan o Navegador. Brendan viajou à América em um "curragh" - antigo barco a vela feito de madeira e couro, muito usado na Irlanda medieval. Os primeiros curraghs apareceram na Mesopotâmia 5000 anos atrás. A probabilidade desta viagem foi comprovada em 1977 quando o explorador e escritor Tim Severin com uma tripulação de quatro homens navegaram da Irlanda a Newfoundland, Canadá. A viagem foi lenta e agonizante. O “curragh” Brendan navegava a aproximadamente 4 nós. O barco tubular, construído como uma cesta de lavar, manteve a tripulação e provisões seguras e razoavelmente secas através de várias tempestades geladas. “Brendan” tinha 36 pés de comprimento, deslocava 4 toneladas e era movida a remos e aproximadamente 400 pés quadrados de velas. Desajeitada, porém uma excelente transportadora de carga com um casco bom para a navegação. 1279 - 1325 D. Dinís, o acadêmico, em 45 anos de governo prepara o então jovem reino de Portugal para a conquista dos mares. Com tal objetivo, nas terras de Leiria, fizera plantar uma verdadeira floresta de pinheiros e outras madeiras aproveitaveis nas construções navais. Assim em 1322, já a bandeira portuguesa tremulava, beijada pela brisa nos mastaréos das naves d'El-Rei. Foi neste ano que a majestade lusa mandou a Genova e Veneza, com amplos poderes para poder firmar contratos, um dos seus melhores ministros. E destas plagas vieram pra Portugal marinheiros praticos nas ivestidas do Oceano, e com eles o fidalgo genovês Manoel Peçanho, afamado capitão dos mares Italianos. À este conferiu D. Dinís o posto de Almirante da sua frota galharda. Quiz, porém, a sorte que ao rei acadêmico não coubesse a glória de desencantar o mysterio atlântico, conforme fora seu desejo. No leito de morte pediu ao filho que completasse o trabalho tão auspiciosamente principiado, e fizesse a grandez e a fama de Portugal no desbravamento dos mares desconhecidos. 1325 Assume D. Affonso IV a coroa portuguesa, D. Affonso, o bravo, não se esqueceu do pedido paterno. Cercado de homens de grande valor, quaes o fidalgo Diogo Pacheco, o bispo do Porto, o almirante Peçanho, investiu contra o mistério dos mares. O fracasso de varias tentativas não o demoveu de sua idéia. 1342 - 1343 A expedições succediam-se expedições. Um dia aportou em Lisboa um dos capitães - Sancho Brandão. Desgarrando-se do mar do ocidente, castigado pela tempestade e impelido por uma corrente mysteriosa, o capitão Sancho alfim abordava uma terra magnífica, habitada por homens nus, opulenta em árvores da tinta vermelha. Tentara contornal-a, navegando para o norte. Não o pôde, porém descobriu outras ilhas. Carregando consigo alguns homens e algumas produções da terra, Sancho Brandão e seus bravos marinheiros velejaram para Portugal, ansiosos para incrustarem na coroa portuguesa a glória do primeiro descobrimento nos mares do Ocidente. Orgulhoso pela vitória conseguida e grato ao valente marujo que lhe dera uma terra nova, Affonso IV batizou a grande ilha do pao vermelho com o nome de Ilha do Brasil ou de Brandão. Em 12 de fevereiro de 1343 como era de praxe, comunicou ao Papa Clemente VI (Pierre Roger 1291 – 6 de dezembro de 1352), o auspicioso acontecimento, em carta escrita de Montemór-o-Novo. E assim se expressou: — <<Diremos reverentemente a Vossa Santidade que os nossos naturaes foram os primeiros que acharam as mencionadas ilhas do occidente...– dirigimos para alli (ilhas do occidente) os olhos do nosso entendimento, e desejando pôr em execução o nosso intento, mandámos lá as nossas gentes e algumas náos para explorarem a qualidade da terra, as quaes abordando as ditas ilhas, se apoderaram, por força de homens, animaes e outras cousas e as trouxeram com grande prazer aos nossos reinos>> (Documento do Archivo Secreto do Vaticano, livro 138, folhas 148 e 149) Juntou-se á carta um mapa da região descoberta e nele se vê a inscrição – Insula do Brasil ou de Brandam. Desde aí os portugueses monopolizaram o commercio do pao-brasil, provindo da ilha de Brandão. Tanto assim que, em documentos do seculo XIV, existentes em bibliotecas européias, vem sempre o nome Brasil ligado ao de Portugal: — o Brasil de Portugal, diziam os ingleses no fim do seculo XIV. 1360 Mapa Mundi de Ranulf Higden, conservado no British Museum de Londres, acha-se inscrita a ilha do Brasil, na mesma posição que ela surge no mapa de Carlos V. 1375 Carlos V mandou um cartógrafo ao Vaticano para copiar o mapa português, e ampliar conforme as explorações feitas de 1343 a 1375, este mapa acha-se exposto na Biblioteca Nacional de Paris, seção de iconografia (III, 132, s XVI) 1376 Livro de histórias e lendas Celtas - Mabinogion, R. of Taliesin, XII, 144: <<...and Brasil of Portugali>> 1380 The Cantebury Tales, Conto nº 11, epilogo: << He loketh as a sparhawk his eyen Him nedeth not his colour for to dyen With Brasil, no with grains, of Portugal>> Carta de Nicolo Zeno demonstra a Groenlândia, e Frisland, mais tarde conhecida como Newfoundland no Canadá. 1418 Mapa Mundi Chinês de Zheng He demonstra as Américas. 1421 The Year China Discovered The World 1421 - 1423 Frota enviada pelo imperador Chinês Zhu Di chega à América. A frota comandada por Zhou Wen navega o Mar do Caribe perdendo nove navios na costa de Puerto Rico em um furacão. Os navios restantes navegaram toda a costa Leste Norte-Americana inclusive a Groenlândia, e a passagem ao norte da Gorenlândia, que na época estava degelada As frotas comandadas por Hong Mao e Zhou Man navegaram toda costa Leste Sul-Americana, as frotas se separaram e Zhou Man navegou o Estreito de Magalhães e toda costa Oeste Sul-Americana até o Peru, atravessou o Oceano Pacífico, atingiu as Ilhas Marquesas, Austrália e Nova Zelândia. Com o auxílio da corrente de Kuroshio, a frota de Zhou Man navegou o Oceano Pacífico até a América do Norte atingindo Vancouver Island no Canadá, navegando a costa Americana rumo sul até o Peru, estabelecendo diversas colônias durante o trajeto. Animação da Expedição - www.1421.tv Animação de um Treasure Junk - Navio Chinês da época 1424 Portulano de Zuane Pizzigano demonstra a "Antylia". Este mapa encontra-se na James Ford Bell Library, Minneapolis, Minesotta, USA. 1428 Chinese Master Chart of the World.
1421 The Year China Discovered The World 1435 Carta de Beccario demonstra a ilha do Brasil. 1436 Registra Andrea Bianco nas suas cartas e no seu portulano as descobertas do Brasil ou Antilia, Mar de Baga e Mar de Sargaços. 1447 Um navio parte do Porto e vai à Groenlândia onde os marinheiros desembarcam. 1448 Registra Andrea Bianco nas suas cartas a existencia do Brasil à distância precisa de 1500 milhas compreendidas entre as ilhas do Cabo Verde e o Cabo S. Roque. Mapa Mundi de Andreas Walsperger, Konstanz demonstra a América do Sul. 1452 Diogo de Teive e seu filho João descobrem a ilha das Flores e chegam à latitude da terra do Lavrador. 1455 Carta de Bartolomeo Pareto demonstra as Antilhas. 1459 Mapa Mundi de Fra Mauro, Murano, feito com a colaboração do navegador veneziano Andrea Bianco. 1472 Navega João Vaz Corte Real à terra de João Vaz, ou Terra Nova, ou Terra dos Bacalhaus, hoje Newfoundland, próximo a Quebec no Canadá, America do Norte. Affonso Sanches navega às Antilhas. 1475 - 1484 João Coelho navega ao Haiti. 1480 Mapa de Albino de Canepa, genovês, demonstra a Ilha do Brasil e as Antilhas. Este mapa encontra-se na Societá Geografica Italiana. 1482 Mapa Mundi feito pelo cartógrafo Grazioso Benicasa em Ancona, Italia indica: costa portuguesa, costa africana, Inslula do Brasil, Antilia. 1487 Viagem à América de Ferdinand van Olm (Fernão Dulmo) e João Affonso Estreito, acompanhados de Martin Behaim, que registrou depois no globo terráqueo que construiu e no mapa do erario real português, a existencia da Península da Florida, das Antilhas e do golfo do Mexico (Mapa este reproduzido na Alemanha em março de 1492). 1489 Mapa Portulano de Albini de Canepa, genovês, demonstra a Antilia. Este mapa encontra-se na James Ford Bell Library, Minneapolis, Minesotta, USA. Martellus demonstra a América do Sul - conectada à Àsia, diversos rios e pontos estratégicos . Rios: Cabo de São Roque, Cabo Frio, Península Valdés, Cabo Tres Puntas, Cabo Pico de La Paula Para uma explicação do mapa de Martellus acessar; cristobalcolondeibiza.com
Janeiro - Abril de 1492 Descoberta, entre 30 de Janeiro e 14 de Abril, da terra do Lavrador, por João Fernandes Lavrador e Pedro de Barcellos. Viajaram através do estreito de Hudson até a Bahia de Hudson navegando toda sua extensão. Agosto de 1492 Todas estas viagens, todos estes descobrimentos são anteriores à primeira viagem de Colombo realizada 8 de Agosto de 1492.
Bibliografia Assis Cintra - Nossa Primeira Historia (Gandavo), Companhia Melhoramentos, 1921 O Descobrimento do Brazil - Garcia Redondo, Casa Vanorden, 1911 Henrique Handelmann - História do Brazil, Instituto Histórico e Geografico Brasileiro, 1931 Junta das Missões Geográficas e de Investigações do Ultramar - Grandes Viagens Portuguesas de Descobrimento e Expansão, Ministério do Ultramar, 1951 John Roussemaniere - The Annapolis Book of Seamanship, US Naval Academy, Simon and Schuster, 1983 Gavin Menzies - The Year China Discovered America, William Morrow, Links |
Mapa da viagem de Pedro Álvares Cabral ao Brasil e à India Com ventos e correntes. Retirado do livro: The Voyage of Pedro Álvares Cabral to Brazil and India — Hakluyt Society — England — 1937 |
|
À Ex.ma Srª D. J. G. Gavicho por Thomaz Ribeiro Minha Barca, ao largo! Dá-me a paz, que entre os humanos Proa ao mar, e o rumo á sorte Adeus, praia! adeus, familia! Se eu achar por sepultura Minha barca, ao largo! ao largo!
Retirado do livro: Almanach de Lembranças — Luso-Brazileiro — para o anno de 1869 Typographia Franco-Portuguesa — Lisboa — 1868
|
A INTELLIGENCIA DOS ANIMAES Por Ernest Menault parte do capítulo: OS PEIXES página 83 ...Dir-nos-hão que são menos felizes do que o ser inteligente por excellencia. A isto responderei com Virey que os peixes digerem facilmente, que não são affectados nem pelas variações do ar, nem pela desigualdade do genero de vida, nem por perdas de transpiração, nem por qualquer desarranjo do corpo, do sangue ou dos humores. Alem d'isso, não teem, como o homem, essas amarguras do coração que dilaceram a vida, esses desgostos, essas paixões que o atormentam. Não os consomem nem os prazeres excessivos, nem as dores profundas: teem uma natureza temperada como a água que habitam. Vivem n'um estado muito recommendado por philosophos, com a differença de que a ataraxia do estoico e a molle tranquilidade do epicuriano são fructos da rasão, enquanto nos peixes são o resultado do temperamento fleugmatico. Sendo porém a rasão um anteparo contra as paixões menos seguro do que a apathia do corpo, o animal aquatico terá sempre vantagens sobre o philosopho e gosará uma vida proporcionalmente mais longa.
|